Guerra com EUA e Israel matou ou feriu 2.500 crianças no Irão

Guerra com EUA e Israel matou ou feriu 2.500 crianças no Irão

O número de crianças mortas ou feridas no Irão em consequência da guerra travada pelos Estados Unidos e Israel atingiu as 2.500, anunciou hoje o diretor regional interino da UNICEF para o Médio Oriente e Norte de África.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Faisal Bashir - SOPA Images via Reuters Connect

"Nos últimos cinco meses, mais de 4.000 crianças foram mortas ou feridas em seis países do Médio Oriente, mais de 2.500 delas no Irão, sendo 386 mortas e 2.117 feridas", avançou Abdul Fofana, em comunicado.

"Enquanto as repercussões da guerra persistem no Irão e nos países vizinhos, as crianças continuam a ser mortas e feridas nos locais onde deveriam estar mais seguras: as suas casas, escolas e comunidades", lamentou o responsável da agência da ONU para a infância.

A UNICEF recordou que, na quinta-feira, na ilha de Qeshm, ao largo da costa sul do Irão, "um menino de 02 anos foi morto juntamente com os seus pais num ataque aéreo contra um edifício de habitação" e que "outras duas crianças ficaram feridas no mesmo ataque".

Para a agência da ONU, "este último incidente é um lembrete contundente de que as crianças de toda a região continuam a pagar o preço mais elevado" na guerra.

A organização insistiu que as partes em conflito "não podem normalizar o sofrimento das crianças, que continuam a suportar horrores de conflitos que não iniciaram e não podem parar".

Por isso, instou "todas as partes a cumprirem as suas obrigações perante o Direito internacional humanitário" e respeitarem os acordos de cessar-fogo.

A guerra começou a 28 de fevereiro, com um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel -- a "Operação Fúria Épica" e "Operação Leão Rugidor" - que visou matar líderes e destruir infraestruturas militares iranianas.

Essa primeira vaga de bombardeamentos atingiu o coração de Teerão e matou o líder supremo iraniano, o `ayatollah` Ali Khamenei e, em resposta, o Irão reagiu atacando ativos e bases norte-americanas e de aliados no Golfo Pérsico, para além de tentar impor restrições e ameaças à navegação no estratégico estreito de Ormuz.

Apesar das tentativas de tréguas mediadas por países terceiros, o cessar-fogo revelou-se frágil e as forças norte-americanas e israelitas continuaram a desferir ataques pontuais para degradar as capacidades navais e de mísseis iranianas, enquanto o Irão prosseguiu com retaliações na região.

Atualmente, a situação mantém-se num estado de tensão extrema, tendo o estreito de Ormuz se tornado o principal campo de batalha económico e logístico do conflito.

O canal, por onde antes da guerra passava navegava um quinto do comércio global de petróleo e gás natural, está bloqueado pelas partes com a consequente paralisação de rotas comerciais cruciais que gerou uma crise energética global.

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